Com participação do Dr. Walter Vieira Ceneviva, o programa INAC Te Vê, exibido em 28 de agosto de 2026, discutiu projetos premiados de boa gestão da coisa pública e combate à corrupção.
Walter Vieira Ceneviva, sócio do Vieira Ceneviva Sociedade de Advogados, participou do INAC Te Vê, programa do Instituto Não Aceito Corrupção, em edição dedicada aos projetos e iniciativas reconhecidos pelo 6º Prêmio INAC de Integridade.
O programa reuniu Walter Vieira Ceneviva, Patrícia Blanco, presidente executiva e do Conselho Diretor do Instituto Palavra Aberta, e Sérgio Madeira, médico e diretor técnico da BRAID, para analisar os trabalhos premiados e discutir iniciativas relacionadas à boa gestão da coisa pública, integridade e combate à corrupção.
Ao longo do debate, os convidados trataram de temas relacionados à atuação do poder público e da sociedade civil, como responsabilidade por atos de improbidade, boas práticas de governança, utilização da tecnologia na fiscalização das contratações públicas, transparência no esporte, jornalismo investigativo e participação social.
Integridade, improbidade e segurança jurídica
Ao comentar o trabalho vencedor na categoria Academia, dedicado à integridade no Ministério Público e aos efeitos das alterações promovidas na Lei de Improbidade Administrativa, Walter destacou a importância de compatibilizar a responsabilização por atos ilícitos com a segurança jurídica.
Segundo ele, as mudanças na legislação tornaram mais complexa a responsabilização de agentes públicos, especialmente diante da necessidade de demonstração do dolo. Nesse contexto, estudos que examinem os critérios de responsabilização contribuem para esclarecer a aplicação da legislação e, ao mesmo tempo, preservar mecanismos efetivos de combate à corrupção.
Governança e eficiência na gestão pública
As boas práticas de governança também estiveram entre os assuntos discutidos.
Ao analisar um sistema desenvolvido para padronizar e monitorar práticas de integridade na administração pública, Walter ressaltou a importância de iniciativas que permitam compartilhar procedimentos e informações entre diferentes órgãos.
Na sua avaliação, a padronização pode gerar ganhos relevantes de eficiência e controle, especialmente em um país com a dimensão e a complexidade administrativa do Brasil. O compartilhamento de informações e procedimentos entre diferentes unidades da administração pode contribuir tanto para a economia de recursos quanto para o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização.
Inteligência artificial no controle das contratações públicas
A utilização da inteligência artificial como instrumento de prevenção de irregularidades também ocupou parte relevante do programa.
Ao analisar uma ferramenta criada para identificar possíveis inconsistências em editais de licitação, Walter observou que a tecnologia permite examinar grandes volumes de informações e confrontá-los com padrões estabelecidos pela legislação.
Segundo ele, enquanto uma análise manual de milhares de editais exigiria grande quantidade de profissionais, tempo e recursos, ferramentas baseadas em inteligência artificial podem ampliar significativamente a capacidade de fiscalização.
Esse tipo de aplicação pode ser utilizado para identificar possíveis irregularidades, propor melhorias e aprimorar os mecanismos de controle das compras públicas, combinando eficiência administrativa e combate à corrupção.
Transparência e governança no esporte
Outro tema discutido foi a governança das entidades esportivas.
Walter ressaltou que parcela significativa dos recursos destinados ao esporte brasileiro decorre, direta ou indiretamente, de aportes públicos, subsídios ou mecanismos de renúncia fiscal.
Por essa razão, destacou a importância de iniciativas destinadas a ampliar a transparência, a prestação de contas e o controle da utilização desses recursos, especialmente por entidades e federações esportivas.
Para Walter, a relação emocional dos brasileiros com o esporte não elimina a necessidade de acompanhar a destinação dos recursos e de estabelecer mecanismos de governança capazes de assegurar sua utilização adequada.
Jornalismo investigativo e liberdade de imprensa
O papel do jornalismo investigativo no combate à corrupção foi um dos principais assuntos do programa.
Walter afirmou que o jornalismo profissional é fundamental para o funcionamento da democracia, da economia, da política e da administração pública, por contribuir para a identificação de irregularidades e para a fiscalização da atuação do poder público.
Ele chamou atenção também para os riscos enfrentados por jornalistas no exercício profissional, incluindo ameaças, violência física e ataques promovidos por meios digitais, ressaltando a necessidade de proteção daqueles que trabalham para revelar informações de interesse da sociedade.
Sigilo da fonte como proteção da sociedade
Durante o debate, Walter destacou especialmente a importância constitucional do sigilo da fonte para o exercício do jornalismo investigativo.
“O sigilo da fonte […] é um patrimônio nosso, da sociedade.”
Walter Vieira Ceneviva
Na sua avaliação, essa proteção não constitui apenas um direito do jornalista. Ela permite que pessoas que tenham conhecimento de fatos relevantes possam fornecer informações à imprensa sem exposição indevida de sua identidade.
Ao preservar a fonte, o jornalista consegue investigar e revelar fatos de interesse público. Enfraquecer essa garantia, portanto, significa também prejudicar o direito da própria sociedade de ter acesso a informações relevantes.
Walter ressaltou ainda a importância dessa proteção para os profissionais que atuam em pequenas localidades. Em regiões consideradas “desertos de notícias”, um jornalista ou comunicador local pode desempenhar papel fundamental na fiscalização das instituições e na divulgação de acontecimentos de interesse público.
Jornalismo local e responsabilização
O programa também discutiu a importância do jornalismo local a partir do trabalho vencedor da categoria Comunicadores Locais, que revelou um esquema envolvendo agentes públicos e produziu consequências concretas, incluindo afastamentos e prisões.
Ao comentar o caso, Walter destacou tanto a coragem da jornalista responsável pela investigação quanto a efetividade da atuação da imprensa e das instituições.
Para ele, o reconhecimento de trabalhos dessa natureza demonstra que mecanismos de controle social e institucional continuam produzindo resultados.
“Quem está ganhando essa disputa é a sociedade e não os criminosos.”
Walter observou que o fato de uma investigação jornalística ter resultado em responsabilização e de seu trabalho ter sido reconhecido publicamente constitui também uma demonstração da capacidade da sociedade de reagir à corrupção.
Sociedade civil e combate à corrupção
No encerramento do programa, Walter ressaltou o papel das organizações da sociedade civil na promoção da integridade.
Ao mencionar o trabalho desenvolvido pelo Instituto Não Aceito Corrupção e pelo Instituto Palavra Aberta, destacou que organizações independentes e profissionais que atuam voluntariamente em defesa de causas públicas podem contribuir significativamente para o fortalecimento institucional.
Para Walter, a atuação da sociedade civil organizada demonstra que o enfrentamento da corrupção e a defesa da integridade não dependem exclusivamente das autoridades públicas.
O 6º Prêmio INAC de Integridade, segundo ele, demonstra que esse esforço produz resultados e estimula novas iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento das instituições e da sociedade.
Assista à participação de Walter Vieira Ceneviva no INAC Te Vê
Confira a íntegra do programa: