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Walter Vieira Ceneviva alerta para golpes com medicamentos falsos e IA

Em entrevista ao SBT News, exibida em 23 de julho de 2026, Walter Vieira Ceneviva alertou para golpes que utilizam inteligência artificial e imagens falsas na divulgação de medicamentos e suplementos alimentares.

A participação ocorreu após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa — emitir um alerta sobre vídeos falsos que utilizam imagens de celebridades, médicos e supostos profissionais da saúde para conferir credibilidade a produtos clandestinos, falsificados ou sem eficácia comprovada.

Para Walter, as plataformas digitais têm a obrigação de combater ofertas criminosas que utilizam tratamentos e medicamentos falsos para enganar os consumidores.

“A obrigação das plataformas digitais é combater esse tipo de oferta criminosa, que procura enganar as pessoas vendendo tratamentos e remédios falsos.”

Walter Vieira Ceneviva, em entrevista ao SBT News

Uma cadeia de ilegalidades

Durante a entrevista, Walter explicou que a produção e a divulgação desses vídeos podem atingir diferentes vítimas.

Além dos consumidores, que são induzidos a adquirir produtos potencialmente perigosos, também são prejudicadas as pessoas que têm a imagem, a voz ou a reputação utilizadas sem autorização.

Para o advogado, trata-se de uma verdadeira cadeia de ilegalidades, especialmente grave quando a fraude envolve medicamentos ou promessas de tratamento de saúde.

A inteligência artificial pode ser empregada de forma legítima e criativa. O problema ocorre quando a tecnologia é usada para produzir vídeos falsos e atribuir a pessoas conhecidas o apoio a produtos que elas nunca recomendaram.

Fraudes estão cada vez mais sofisticadas

Walter ressaltou que as manipulações produzidas por inteligência artificial estão cada vez mais realistas. Por isso, nem sempre o consumidor conseguirá identificar a fraude apenas observando falhas na imagem, na voz ou nos movimentos da pessoa retratada.

“Se o consumidor achar que vai identificar só por olhar e tentar perceber algum sinal, provavelmente vai fracassar. As coisas são muito bem-feitas e a técnica está muito sofisticada.”

Walter Vieira Ceneviva

A principal recomendação é desconfiar de promessas milagrosas, facilidades desproporcionais e depoimentos de personalidades que não possuem relação aparente com o produto anunciado.

Antes de acreditar ou realizar uma compra, o consumidor deve buscar informações em fontes confiáveis e verificar se a pessoa apresentada no anúncio realmente apoia aquele produto.

Como verificar anúncios feitos por supostos médicos

Os anúncios fraudulentos também podem apresentar médicos inteiramente criados por inteligência artificial.

Nessas situações, Walter recomenda verificar se o profissional existe e se possui inscrição válida no Conselho Regional de Medicina. O mesmo cuidado deve ser adotado quando o anúncio utilizar profissionais de outras áreas da saúde.

Também é importante conferir:

  • se o número do registro profissional aparece no anúncio;
  • se o profissional está regularmente inscrito no respectivo conselho;
  • se a celebridade ou o médico realmente divulgou aquele produto;
  • se a promessa apresentada é plausível;
  • se o medicamento é comercializado por estabelecimento autorizado.

Mesmo essas verificações, entretanto, podem não ser suficientes diante do grande volume e da sofisticação dos conteúdos falsos. Por isso, o consumidor deve consultar veículos de comunicação e fontes institucionais antes de acreditar em promessas extraordinárias.

Plataformas devem agir de forma proativa

Walter também abordou as mudanças no regime jurídico de responsabilidade das plataformas digitais após a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet.

Segundo o advogado, as empresas responsáveis pelas redes sociais dispõem de mecanismos tecnológicos para identificar, limitar e bloquear determinados conteúdos. Esses recursos já são empregados, por exemplo, na proteção de direitos autorais.

Para Walter, as plataformas devem utilizar a mesma capacidade tecnológica para enfrentar conteúdos que coloquem a saúde e a segurança dos usuários em risco.

“As plataformas têm que ser proativas e eficientes. Elas têm que saber separar o joio do trigo.”

Walter Vieira Ceneviva

A atuação deve abranger anúncios ilegais de medicamentos, conteúdos que incentivem violência, exploração sexual e outras práticas ilícitas.

No caso dos falsos medicamentos, a omissão pode gerar consequências civis, administrativas e, dependendo da conduta, até criminais.

Consumidores devem cobrar providências


Walter concluiu que a sociedade deve cobrar de empresas como Google e Meta uma atuação efetiva contra a circulação de anúncios fraudulentos. Essas empresas não devem apenas oferecer espaço para a publicação de conteúdos, mas também manter mecanismos capazes de detectar irregularidades, receber denúncias e impedir que seus serviços sejam utilizados para colocar consumidores em risco.

Assista à entrevista completa:

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